Perfil na Imprensa:
“Admiro o ator Ricardo Napoleão, diretor, autor/ator, “ globe trotter” que foi dominando alemão, inglês, Francês e espanhol em português do Brasil nos oferece o sumo de suas experiências e expressões étnicas criativas, com uma revelação anímica plena de humor inerente a um mundo em permanente dinâmica, nos premiando ao revelar este universo em contínua expansão , isto em seu conceituado gesto vocal e corporal.” Denise Stoklos , Jornal O Estado de São Paulo.
“Quem não ouviu falar de um artista brasileiro que teve seu reconhecimento profissional primeiro no exterior e depois em sua própria terra? Ricardo Napoleão pode ser incluído em um desses casos.” Mônica Loureiro , Jornal O Dia Rio de Janeiro
“Seu solo cômico é notável, principalmente pelo exuberante talento do intérprete de vários personagens.” Miguel Anunciação, Jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte.
“O trabalho homogêneo de um elenco muito bom, que sabe o que está fazendo, é atento ao contracenar e sugere ao invés de tornar evidentes os contornos exteriores das ações e dos personagens fazem de A besta na lua uma experiência incomum na vida dos expectadores de hoje.” Mariângela Alves de Lima . O Estado de São Paulo
“Ricardo Napoleão , que interpreta Aram é de admirável contenção.Toda a rigidez dos códigos seculares em que o rapaz acredita está traduzida na contenção física do ator. E a sutileza e habilidade que Napoleão modula essas características ao longo da ação é admirável.” Alberto Guzik , São Paulo. Sobre a peça “A besta na lua.” Richard Kalinoski
Ricardo Napoleão conta um pouco do que fez e do que anda fazendo:
Amigos, em muitas oficinas e palestras por aí, venho contando algumas coisas sobre minha trajetória, sempre pensando que ao fazer isto posso encorajar alguém a seguir o seu próprio caminho. Quem sabe criar coragem e sair por aí em busca do seu sonho?
Na verdade, sempre gostei de inventar. Inventar figurinos, inventar histórias, brincar de ser outras pessoas, refazer.
Acreditei nesta realidade inventada e segui. Deixando de lado alguns personagens da infância, que adoro e que revisito de quando em vez, um deles, criado quando eu tinha os meus 18 anos, me abriu os caminhos.
Chamava-se Coriolando Canário. Era, como o nome bem diz, absolutamente colorido e usava muito, muito perfume. Seu perfume não era lá essas coisas, mas ele atingia o seu principal objetivo ao chegar nos lugares: chamava a atenção e fazia rir. Coriolando saia nas ruas de Belo Horizonte e ia aos lugares públicos. Lia trechos de livros bizarros , lia o “Guia de Boas Maneiras” e “Como fazer amigos…” em locais onde as pessoas estavam entre amigos e absolutamente não queriam ter bons modos. Mas riam. Riam muito e levavam um pirulito colorido de presente, e aquele homem partia. O objetivo se cumpria. Fazer rir era o que importava. E rir era o fundamental.
Fui inserindo música, mais cores , bicicleta e Coriolando chegou de repente aos jornais. A jornalista que viu logo escreveu : “Coriolando Canário é o nome dele. Ele aparece nos locais e sua “performance” é muito original. Não perca por nada nesse mundo!” Bom, então o que eu fazia era “performance”. Foi bom saber! Mas quer saber a verdade? “Não perder por nada no mundo” é muita generosidade da jornalista! Eu perderia fácil pra fazer outra coisa, mas já que ela falou…Mas ali eu começava a trajetória do palhaço, um clown urbano, solto no mundo.
Em seguida, conheci o Raimund Hoghe em Belo Horizonte. Dramaturgo da Companhia de teatro dança da Pina Baush. Como eu falava alemão e Raimund procurava um ator brasileiro para sua nova direção, fui escolhido. Assim estreava em Berlin, enquanto o muro caia, no ano de 1989. O solo se chamava VENTO.
Repararam que eu não tinha tido ainda nenhum estudo na área de teatro e que estreava em Berlin, assim, sem mais nem menos? Pois então, aquela experiência foi muito forte para mim, aquelas turnês pelas capitais e a construção do solo VENTO, com poemas de Fernando Pessoa, naquela realidade tão distinta da nossa foi um começo para derrubar qualquer muro! Para quem estava fazendo grafite nos muros de Belo Horizonte e apresentando o Coriolando Canário pelos bares, Berlin , bem Berlin é uma cidade que tenho no coração. Ali foi meu começo de muita coisa. Ali virei profissional! Na marra!
Ali , pela primeira vez eu ia receber para fazer teatro! Até aí eu nunca havia ganho nada com minhas performances e ia ganhar após a estréia já marcada pelo teatro em Berlin Oriental. Apesar do muro estar caindo, as Alemanhas tinham moedas diferentes. Me pagaram com “Ost Deutche Mark”
Este dinheiro não valia nada na Berlin Ocidental que era para onde eu estava indo depois. Solução? Eu ainda não tinha.
A sugestão da produtora era que eu gastasse tudo naquele dia que me restava ali. Ou seja, eu teria que gastar TUDO que ganhei, correndo em Berlin para comprar sabe lá Deus o que…
Para quem nunca tinha tido dinheiro assim, para gastar com o que quisesse; ter que gastar o primeiro salário todo, era algo surreal. Acabei gastando e gostando! Correr e gastar , correr e gastar! Já viram “Corra Lola corra”? Mais ou menos aquilo ali…
Bem, então depois da turnê com a peça VENTO, me despedi de Berlin e Düsseldorf, segui para Paris onde fui fazer um estágio na Companhia de Arianne Mnoushkine, o Théatre Du Soleil.
Este estágio me possibilitou conhecer a escola Jacques Lecoq, na qual eu iria me formar depois de 2 anos de curso.
Este capítulo é muito especial e na parte de cursos deste site onde você poderá ver que esta escola e os ensinamentos de Jacques Lecoq orientaram muito o meu caminho. Falo particularmente sobre a escola na parte de cursos.
Aqui posso dizer que ao me formar, criamos uma companhia de teatro : “Reseau Internacional de Théatre Antena”. Começamos a chamar simplesmente de “Antena”. Teatro Antena. Com François Lecoq, filho de Jacques Lecoq e Karina da Polônia, Monica da Colômbia, eu do Brasilis, Nicolas da Suíça e François da (preencha você mesmo)! Criamos uma peça chamada ZAP ZAP ZAP com 4 clowns de países diferentes.
Tivemos uma experência sublime em Palluau sur Indre interior da França, mergulhados no universo do clown, a essência máxima dos ensinamentos de Jacques Lecoq. 24 horas de criação.
O prazer de conviver com Violette Lecoq, que passei carinhosamente a chamar de Tante Violette, Tia Violeta. Uma das pessoas mais incríveis que conheci. Refez sua vida sem mágoas após ter sido presa pelos alemães em um campo de concentração por ter feito parte da resistência francesa. Este é um capítulo a parte!
Muito bom, mas não é fácil. Nada fácil. Criar é um ato de coragem! Aprofundar-se no clown então…
Bem, com essa peça excursionamos no verão de 1995. Ah, não tem tanto tempo assim vai!
Bom, era hora de voltar ao Brasil. Sempre quis voltar, embora muitos achassem que o “exterior” é que é bom…estava certo do que queria: Brasil. Então aconteceu de conhecer o universo deste mineiro fantástico, este inventor de sonhos, na peça “ Mais pesado que o ar- Santos Dumont”
Doutores da Alegria, em seguida, este um aprendizado infalível: com crianças. Criança sabe. Sabe tudo. Participar do grupo na minha chegada a São Paulo foi maravilhoso. E conhecer os palhaços que tanto amo. Conhecer Claudio Carneiro, meu irmão e tantos outros queridos, a Bit, Beatriz Sayad, Thaís Ferrara, Soraya ah…todos! Obrigado Doutores, voltei ao Brasil pelas mãos da criançada! Como admiro este trabalho, como aprendi!
Bem, daí, muitas peças e parceiros.
Acontece o primeiro ECUM, encontro Mundial de artes Cênicas. Fui convidado para apresentar o trabalho com máscaras , fazer uma aula aberta sobre a pedagogia da escola Lecoq, juntamente de François Lecoq. Fizemos uma aula espetáculo, onde mostramos várias linhas do trabalho da pedagogia de escola Jacques Lecoq, com toda a sua riqueza , sua relação com o espaço e a arquietura cênica.
Acompanhei Fay Lecoq , esposa de Jacques Lecoq para apresentar pela primeira vez as máscaras neutras de Amleto Sartori no Brasil em 1995.

Continuei meu trabalho até ser chamado para fazer um espetáculo em Londres e ministrar workshops na Faculdade de Teatro “Queen Mary and Westfield”. Ali fui artista residente durante mais um ano e dei oficinas de máscaras , clown e Bufão para os alunos do curso de teatro da Universidade. No encerramento do curso organizei com meus alunos uma invasão de Bufões na Estação Liverpool Street, que foi algo incrível. Quando perceberam que não tínhamos autorização, já estávamos em nossas casas jantando. Se fôssemos pedir, a suprema corte iria analisar o caso para o ano que vem. Ano que vem? Ano que vem estou no Brasil, my dear friend! Assim retomei minha experiência urbana, na raça. Em Londres. Através dos bufões!
Ricardo Napoleão , Karina e Juan em apresentação pública na École Jacques Lecoq. Paris 1994.
Retorno a São Paulo. Vários projetos são desenvolvidos.
“Coletores Urbanos” foi mais uma parceria com meu amigo Kiko Goiffman , cineasta que admiro tanto. Mais um projeto que une diferentes linguagens em parceria com o SESC.
“ A besta na Lua” um convite de Beatriz Sayad, parceira de sempre. Numa bela peça de Richard Kalinoski.
Muitas palestras e apresentações do meu solo cômico, onde continuo inventando personagens, tipos, rabiscos de gente.
A direção de programas de TV, a criação de roteiros ( TV e internet ) Minha fábrica de invenções que começou pequenininha lá no bairro do Rosário em Minas Gerais, continua em plena atividade. Chama-se Romã Produções.
Nesse site você também pode ver nossos trabalhos e projetos.
Agora, com o lançamento do livro “O corpo poético” de Jacques Lecoq, que tive a honra de prefaciar para a edição brasileira, vamos nos rever. Estamos divulgando este trabalho nas capitais do Brasil, com oficinas, palestras e apresentações.
Inventar é preciso, estar disponível, mais ainda.
Falei tanto de mim, agora quero saber de você!
Mande notícias pelo meu site!
Abração!
